Loureiro: da sombra à ribalta, a casta atlântica de excelência
O Loureiro é a casta branca mais plantada na Região dos Vinhos Verdes e uma das mais antigas do Minho, com referências que remontam ao século XVIII.
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O Loureiro é a casta branca mais plantada na Região dos Vinhos Verdes e uma das mais antigas do Minho, com referências que remontam ao século XVIII. Originária do vale do Lima, encontra nesta sub-região o seu território de eleição: um vale aberto, sem barreiras naturais, onde os ventos marítimos penetram livremente, conferindo frescura e mineralidade às uvas.
Trata-se de uma variedade fértil e produtiva, durante muito tempo associada a vinhos simples e a grandes volumes. Esteve frequentemente na sombra da casta “nobre” Alvarinho. Contudo, a sua verdadeira vocação é outra: vinhos de elevada qualidade, frescos, aromáticos e com extraordinário potencial de guarda.
“Sempre acreditei que o Loureiro poderia estar entre as grandes castas nacionais.”
— Anselmo Mendes
O perfil da casta
O Loureiro distingue-se por vinhos de cor citrina a amarelo-palha, com aromas florais delicados — jasmim, rosas, flor de laranjeira — e notas cítricas de lima e limão, muitas vezes acompanhadas por toques mentolados. Na boca revela-se crocante, elegante e com acidez vibrante. Produz vinhos com grande potencial de envelhecimento em garrafa (até 15-20 anos).
A visão de Anselmo Mendes
Anselmo Mendes começou a trabalhar o Loureiro no início da década de 1990, como enólogo consultor na Quinta do Ameal, pioneira na valorização desta casta. Em 2005 integrou essa experiência no seu próprio projeto, iniciando a exploração de vinhas no vale do Lima, berço do Loureiro e zona de forte influência atlântica.
Com práticas de viticultura focadas em reduzir rendimentos e aumentar a qualidade da uva, iniciou o estudo de diferentes parcelas e pequenas vinificações, inovando também na enologia. Foi desta forma que o Loureiro passou de “coadjuvante” a protagonista, conquistando o seu lugar como uma das grandes castas nacionais.
Hoje, Anselmo Mendes explora 70 hectares de Loureiro, distribuídos por seis quintas diferentes no vale do Lima, consolidando um trabalho contínuo de mais de três décadas.
“O Loureiro é frescura, pureza e elegância atlântica. É uma casta com alma e futuro.”
— Anselmo Mendes
O legado e o futuro
A aposta no Loureiro ganhou uma nova dimensão com a entrada da segunda geração da família. Em 2020, Tiago Mendes decidiu criar a sua própria interpretação da casta, projeto lançado em 2025, refletindo a crença partilhada no enorme potencial desta variedade.
O Loureiro é hoje reconhecido como uma das castas brancas de maior qualidade em Portugal, capaz de dar origem tanto a vinhos frescos e perfumados para o quotidiano, como a exemplares estruturados e complexos, com longa vida em garrafa.
No vale do Lima, entre vinhas atlânticas e solos graníticos, a casta encontrou o cenário perfeito para expressar o seu carácter e afirmar-se como símbolo de elegância, longevidade e identidade da região dos Vinhos Verdes.
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