Alvarelhão: a casta ancestral que renasce em Monção
O Alvarelhão, conhecido localmente como Brancelho, é uma das castas tintas mais antigas de Portugal e uma verdadeira relíquia do património vitícola nacional.
.jpg)
.jpg)
O Alvarelhão, conhecido localmente como Brancelho, é uma das castas tintas mais antigas de Portugal e uma verdadeira relíquia do património vitícola nacional. Referida já na Idade Média, esteve na base dos históricos vinhos “Pardusco”, que, entre os séculos XIV e XVI, foram os primeiros vinhos portugueses exportados em larga escala para Inglaterra.
Com diferentes nomes consoante a região — Pirruivo em Arouca, Pilongo no Dão, Alvarelhão no Douro e Brancellao na Galiza — esta casta sempre esteve ligada a vinhos de cor aberta, com acidez vibrante, frescura atlântica e notável longevidade.
“O Alvarelhão é parte da nossa história. É uma casta elegante, fina e única, que merece voltar ao lugar de destaque que teve em Monção e em Portugal.”
— Anselmo Mendes
Os Vinhos Pardusco: herança e identidade
O termo “Pardusco” designava os tintos de Monção, mais leves na cor e no corpo, mas com grande capacidade de envelhecimento. Eram vinhos distintos, de cor rubi clara, frescos, com notas de fruta vermelha e mineralidade, que marcaram gerações e se tornaram famosos além-fronteiras.
Foi esta tradição que inspirou Anselmo Mendes a criar, em 2012, o seu primeiro Pardusco, dando início a um trabalho contínuo de recuperação desta herança vinícola.
“Recuperar o Pardusco foi recuperar memória, identidade e autenticidade. São vinhos diferentes, mas cheios de caráter.”
— Anselmo Mendes
O projeto de recuperação
Para devolver vida a esta tradição, Anselmo Mendes iniciou a plantação de castas históricas tintas na sua Quinta do Rabo de Cuco, em Monção. Atualmente, explora 7 hectares, dos quais 5 ha são de Alvarelhão, estando os restantes dedicados a outras variedades ancestrais como o Pedral (Cainho dos Milagres) e o Verdelho-Feijão.
Através deste trabalho, procura valorizar não apenas a casta, mas também o património vitícola que fez a glória dos afamados tintos de Monção, promovendo vinhos elegantes, frescos e de grande autenticidade.
Uma visão de futuro
A linha Pardusco — com destaque para o Pardusco Private, feito exclusivamente de Alvarelhão — é hoje símbolo deste renascimento. Representa um olhar simultaneamente para o passado e para o futuro, resgatando uma tradição quase perdida e apresentando-a com rigor e modernidade.
Assim, o Alvarelhão, outrora relegado ao esquecimento, regressa para provar que os grandes vinhos tintos de Monção não pertencem apenas à história — são também uma promessa para o futuro.


